5 curiosidades sobre os dinossauros

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Os dinossauros viveram na Terra por mais de 160 milhões de anos e continuam despertando a curiosidade de crianças e adultos. A cada ano, novas descobertas mudam o que sabíamos sobre esses animais, e muita coisa que aprendemos na escola, ou nos filmes, já foi revista pelos cientistas.

Antes das curiosidades, vale relembrar quando eles viveram. Depois, conheça cinco fatos que surpreendem até quem é fã de paleontologia, com destaque para as descobertas feitas no Brasil.

Quando os dinossauros viveram

A era dos dinossauros é chamada de Mesozoica e se divide em três períodos:

  • Triássico (de cerca de 252 a 201 milhões de anos atrás): surgem os primeiros dinossauros, ainda pequenos, num mundo em que os continentes estavam unidos num único supercontinente, a Pangeia.
  • Jurássico (de 201 a 145 milhões de anos atrás): os dinossauros se diversificam e aparecem gigantes de pescoço longo, como o braquiossauro, além do estegossauro.
  • Cretáceo (de 145 a 66 milhões de anos atrás): surgem as plantas com flores, e vivem animais famosos como o tiranossauro e o tricerátopo.

Uma confusão comum: os pterossauros, que voavam, e os grandes répteis marinhos, como os plesiossauros, viveram na mesma época, mas não eram dinossauros. Eles pertenciam a outros grupos de répteis.

1. Os dinossauros não foram todos extintos

Parece estranho, mas é isso que a ciência mostra: as aves descendem de um grupo de dinossauros carnívoros chamados terópodes, o mesmo do tiranossauro e do velocirraptor. Por isso, os paleontólogos consideram as aves como dinossauros vivos e usam o termo “dinossauros não avianos” para se referir aos que desapareceram.

As evidências são muitas: ossos ocos, a fúrcula, aquele osso em forma de V que conhecemos como “osso da sorte” do frango, penas em fósseis de terópodes e até adultos fossilizados sobre seus ninhos, na mesma posição em que as aves chocam os ovos. Análises de proteínas preservadas num fóssil de tiranossauro também apontaram semelhanças com as de galinhas e avestruzes. O pombo da praça e a galinha do quintal são, de certa forma, parentes do T. rex.

2. O T. rex viveu mais perto de nós do que do estegossauro

O estegossauro, aquele das placas nas costas e dos espinhos na cauda, viveu há cerca de 150 milhões de anos, no Jurássico. O tiranossauro apareceu só no fim da era dos dinossauros, há cerca de 68 milhões de anos. Ou seja, o intervalo entre os dois, de mais de 80 milhões de anos, é maior do que o tempo que nos separa do T. rex, que desapareceu há 66 milhões de anos.

Esse fato ajuda a entender a escala do tempo geológico. A era dos dinossauros foi tão longa que muitas espécies famosas nunca se encontraram, e os filmes que colocam todas juntas na mesma cena misturam animais separados por dezenas de milhões de anos.

3. Muitos tinham penas, e alguns tiveram as cores reveladas

Os dinossauros dos filmes antigos eram lagartos gigantes de pele escamosa, mas fósseis encontrados nas últimas décadas, principalmente na China, mostram que muitas espécies tinham penas. O velocirraptor, por exemplo, tinha penas nos braços, como indicam as marcas de fixação encontradas em seus ossos. E o velocirraptor de verdade era bem menor que o dos filmes, com mais ou menos o tamanho de um peru.

Até parentes grandes do tiranossauro, como o chinês Yutyrannus, que podia passar dos 8 metros de comprimento, eram cobertos por uma espécie de plumagem. E há mais: ao analisar estruturas microscópicas preservadas nas penas fossilizadas, os cientistas conseguiram estimar as cores de alguns dinossauros. O pequeno Sinosauropteryx, por exemplo, tinha a cauda com listras em tons castanho-avermelhados e claros.

4. O Brasil tem alguns dos dinossauros mais antigos do mundo

O Rio Grande do Sul guarda fósseis de dinossauros com cerca de 230 milhões de anos, do início da história do grupo. Espécies como o Staurikosaurus, o Buriolestes e o Gnathovorax ajudam os cientistas a entender como eram os primeiros dinossauros, bem menores que os gigantes que vieram depois. A região da Quarta Colônia, no centro do estado, é uma das mais importantes do mundo para estudar essa fase.

O país tem outros tesouros. Em Minas Gerais, a região de Peirópolis, em Uberaba, é famosa pelos fósseis de titanossauros, dinossauros herbívoros de pescoço longo. Em 2016, foi descrito o Austroposeidon, um titanossauro encontrado em São Paulo que podia chegar a cerca de 25 metros de comprimento e é apontado como o maior dinossauro já descrito no Brasil.

5. Um dinossauro brasileiro recebeu o nome por causa da irritação dos cientistas

O Irritator challengeri foi encontrado na Chapada do Araripe, região que se estende pelo Ceará, por Pernambuco e pelo Piauí e é famosa por ter alguns dos fósseis mais bem preservados do planeta. O crânio chegou aos pesquisadores depois de passar pelas mãos de comerciantes de fósseis, que tinham alterado a peça com gesso para que ela parecesse mais completa e valiosa.

Os paleontólogos tiveram um trabalho enorme para remover as partes falsas e, irritados, batizaram o animal de Irritator. O nome da espécie, challengeri, é uma homenagem ao professor Challenger, personagem do livro “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle. O Irritator era um espinossaurídeo, grupo de dinossauros com focinho alongado, parecido com o de um crocodilo, que provavelmente se alimentava de peixes.

O fim de uma era

Os dinossauros não avianos desapareceram há 66 milhões de anos, depois que um asteroide de cerca de 10 quilômetros de diâmetro caiu onde hoje fica a península de Yucatán, no México. A cratera, chamada Chicxulub, tem cerca de 180 quilômetros de diâmetro e está em grande parte enterrada sob sedimentos e sob o mar.

A primeira pista dessa história foi apresentada em 1980, quando pesquisadores identificaram, em rochas daquela época, uma camada rica em irídio, um elemento raro na crosta terrestre e comum em asteroides. O impacto lançou poeira e gases na atmosfera, escureceu o céu, esfriou o planeta e provocou incêndios e tsunamis. Cerca de três quartos das espécies de plantas e animais desapareceram. Os mamíferos sobreviventes, a maioria pequenos, ganharam espaço e, muito tempo depois, deram origem a nós.

Onde ver fósseis de dinossauros no Brasil

  • Museu dos Dinossauros, em Peirópolis (Uberaba, MG): reúne fósseis encontrados na região, incluindo os de titanossauros.
  • Museu de Paleontologia de Santana do Cariri (CE): exibe fósseis da Chapada do Araripe, famosos pela preservação.
  • Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, em São João do Polêsine (RS): ligado à Universidade Federal de Santa Maria, mostra achados do Triássico gaúcho.
  • Museu Nacional (RJ): a mais antiga instituição científica do país, atingida por um grande incêndio em 2018 e em processo de reconstrução.

Antes de visitar, confira os horários de funcionamento e se é preciso agendar a visita.

Perguntas frequentes

Os dinossauros e os seres humanos viveram na mesma época?

Não. Os dinossauros não avianos desapareceram dezenas de milhões de anos antes do surgimento dos primeiros humanos. A exceção são as aves, que convivem com a gente até hoje.

Qual foi o maior dinossauro?

Os recordistas estão entre os titanossauros da América do Sul, como os argentinos Argentinosaurus e Patagotitan, que podiam passar dos 30 metros de comprimento. Como os esqueletos raramente estão completos, os tamanhos são estimativas.

Como os cientistas sabem a idade de um fóssil?

Principalmente pela datação das rochas vulcânicas que ficam acima e abaixo das camadas onde o fóssil foi encontrado, usando elementos radioativos que se transformam num ritmo conhecido.

Conclusão

Os dinossauros continuam cheios de surpresas: tinham penas e cores, deixaram descendentes que voam por aí e têm uma parte importante da sua história escrita no solo brasileiro, do Triássico gaúcho aos gigantes de Minas Gerais e São Paulo. Da próxima vez que um passarinho pousar na janela, lembre que você está diante de um dinossauro.

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