Ganhou um colar de presente, encontrou uma joia antiga na gaveta ou está pensando em comprar uma peça usada? A dúvida costuma ser a mesma: será que é ouro de verdade? Com o preço do ouro em alta nos últimos anos, essa pergunta ficou ainda mais importante, tanto para quem quer vender quanto para quem não quer cair num golpe.
O celular não substitui a avaliação de um joalheiro, mas alguns aplicativos e recursos do próprio aparelho ajudam a fazer uma primeira triagem em casa, sem gastar nada. Neste guia, você vai ver quais ferramentas usar, como interpretar as marcações da joia e quais testes caseiros ajudam, e quais só atrapalham.
O que o celular consegue e o que não consegue fazer
Antes de tudo, é importante ser honesto: nenhum aplicativo mede a pureza do ouro. Promessas de apps que “analisam o ouro pela câmera” não têm base técnica, porque a cor e o brilho de uma peça banhada podem ser idênticos aos de uma peça maciça.
O que dá para fazer com o celular é usar os sensores e a câmera para encontrar sinais de que a peça pode não ser o que parece: a presença de metais magnéticos, a ausência de marcações de quilate ou marcações que indicam banho de ouro. Isso já elimina muitas dúvidas antes de você levar a peça para avaliação.
Entenda as marcações do ouro
As joias de ouro costumam trazer uma pequena gravação com o teor do metal, geralmente no fecho, na argola ou na parte interna da peça. Os números indicam quantas partes de ouro existem em mil partes da liga:
- 999 ou 24K: ouro praticamente puro, pouco usado em joias por ser muito mole.
- 916 ou 22K: ouro 22 quilates, comum em peças de outros países.
- 750 ou 18K: ouro 18 quilates, o padrão das joias no Brasil.
- 585 ou 14K: ouro 14 quilates.
- 417 ou 10K: ouro 10 quilates.
Já marcações como GP (gold plated), GF (gold filled), HGE ou as palavras “banhado” e “folheado” indicam que a peça tem apenas uma camada de ouro sobre outro metal. Elas podem ser bonitas e duráveis, mas não valem o mesmo que uma joia de ouro maciço.
1. Physics Toolbox Sensor Suite
Este aplicativo gratuito dá acesso ao magnetômetro, o sensor que o celular usa para funcionar como bússola. O ouro não é atraído por ímãs, então uma peça de ouro verdadeiro quase não mexe na leitura do sensor. Se o número dispara quando você aproxima o colar do celular, é sinal de que existe ferro ou níquel na composição.
Para fazer o teste, abra a função de magnetômetro, deixe o celular parado sobre a mesa e aproxime o colar devagar de diferentes partes do aparelho, já que a posição do sensor varia de modelo para modelo. O app está disponível para Android e iPhone.
2. Physics Toolbox Magnetometer
A mesma desenvolvedora oferece uma versão com apenas o magnetômetro, mais simples de usar. Ela mostra a intensidade do campo magnético num gráfico em tempo real, o que facilita perceber qualquer variação quando a joia se aproxima. É uma boa opção para quem quer só esse teste, sem as outras ferramentas do pacote completo.
3. Lupa do celular
As marcações de quilate são minúsculas e, muitas vezes, estão gastas pelo uso. No iPhone, o app Lupa, que já vem instalado, amplia a imagem, ajusta a iluminação e permite congelar a tela para ler com calma. No Android, o zoom da câmera ou o recurso de ampliação das configurações de acessibilidade cumprem o mesmo papel.
Uma dica é fotografar a marcação com a lanterna ligada e ampliar a foto depois. Assim, fica mais fácil identificar números e símbolos gravados.
4. Google Lens
Além dos números de quilate, muitas joias trazem a marca da joalheria ou do fabricante. Com o Google Lens, você pode fotografar esse símbolo e pesquisar o que ele significa, o que ajuda a identificar a origem da peça e a confirmar se aquela marca trabalha com ouro maciço.
5. Aplicativos de cotação do ouro
Depois de identificar o quilate, um aplicativo de cotação ajuda a ter uma ideia do valor da peça. Pese o colar numa balança de precisão, informe o quilate e confira o preço do grama do ouro no dia. Lembre que joalherias e casas de compra pagam menos que a cotação, porque descontam o custo do refino e a própria margem.
Testes caseiros: o que ajuda e o que atrapalha
Teste do ímã: como no magnetômetro, se a peça grudar num ímã forte, não é ouro maciço. É simples e não danifica a joia.
Teste da cerâmica: consiste em riscar levemente a peça numa superfície de cerâmica sem esmalte, como o fundo de um prato. Um risco dourado é um bom sinal, enquanto um risco escuro indica outro metal. O problema é que o teste pode arranhar a joia, então use com cuidado.
Testes que devem ser evitados: morder a peça, aquecer com isqueiro ou mergulhar em vinagre são métodos populares, mas pouco confiáveis e que podem danificar a joia ou machucar você.
O que o joalheiro faz
Para ter certeza, procure um joalheiro ou uma casa de compra de ouro de confiança. O método tradicional é o da pedra de toque com ácidos, em que a peça deixa um risco numa pedra especial e reage a soluções de diferentes quilates. Muitos estabelecimentos também usam aparelhos de fluorescência de raios X, que mostram exatamente a composição da peça sem danificá-la.
Cuidados ao comprar ou vender ouro
Seja para comprar uma joia usada ou vender uma peça antiga, alguns cuidados evitam prejuízos:
- Prefira joalherias e casas de compra com endereço fixo, CNPJ e boas avaliações de outros clientes.
- Peça que a peça seja pesada e testada na sua frente, e confira o peso numa balança de precisão.
- Compare a proposta com a cotação do grama do ouro no dia e com a oferta de pelo menos mais um comprador.
- Na compra, exija nota fiscal ou certificado com o quilate e o peso da joia.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado, principalmente em anúncios de redes sociais e vendas de ocasião.
Esses passos simples protegem tanto quem compra quanto quem vende e deixam a negociação mais transparente.
Perguntas frequentes
Se o colar não é atraído pelo ímã, ele é de ouro?
Não necessariamente. Latão, cobre e prata também não são magnéticos e podem estar banhados a ouro. O teste só descarta peças com ferro ou níquel.
Ouro de verdade escurece?
O ouro puro não oxida, mas as ligas usadas nas joias contêm outros metais e podem escurecer levemente com o tempo. Peças banhadas costumam perder a cor nas áreas de maior atrito, revelando o metal por baixo.
Vale a pena vender ouro antigo?
Depende da cotação do dia e da proposta recebida. Peça para pesar a joia na sua frente, confira o quilate e compare ofertas de mais de um comprador antes de fechar negócio.
Ouro branco é ouro de verdade?
Sim. O ouro branco é uma liga de ouro com metais brancos, como paládio ou prata, e costuma receber um banho de ródio para ficar mais brilhante. Com o tempo, esse banho pode se desgastar e deixar a peça levemente amarelada, o que se resolve com um novo banho no joalheiro.
Conclusão
Os aplicativos são um bom primeiro passo para decidir se vale a pena levar o colar para avaliação. O magnetômetro descarta peças com ferro, a lupa revela as marcações de quilate, o Google Lens ajuda a identificar a marca e a cotação dá uma ideia do valor. Na hora de comprar ou vender, porém, a palavra final é sempre de um profissional.
